Lotes mais pequenos, preços de entrada mais acessíveis e maior segurança urbanística impulsionam a procura por construção própria
A procura por terrenos para construção de habitação própria aumentou cerca de 40% entre setembro de 2025 e setembro de 2026, segundo dados da Porta da Frente Christie's International Real Estate, divulgados pelo 24 Notícias. A tendência evidencia uma mudança no perfil dos compradores, com cada vez mais famílias a considerar construir casa própria como alternativa à aquisição de um imóvel já concluído, apesar de a entrada de novos terrenos no mercado ter diminuído 7%.
A oferta tem acompanhado esta evolução, com uma redução significativa da dimensão dos lotes disponíveis. Entre setembro de 2024 e setembro de 2026, a área mediana dos terrenos na carteira da mediadora diminuiu 68%, passando de 2.696 para 860 m². No mesmo período, os lotes urbanos até 1.200 m² passaram a representar 69% da oferta, face a 30% anteriormente, enquanto os terrenos integrados em loteamentos e empreendimentos aumentaram o seu peso de 2% para 43%.
Esta transformação reflete-se também nos preços: o valor mediano anunciado dos terrenos comercializados pela mediadora passou de 955 mil euros, em setembro de 2024, para 520 mil euros, em setembro de 2026. A descida está sobretudo associada à menor dimensão dos lotes disponíveis, e não necessariamente a uma desvalorização dos terrenos. A procura concentra-se sobretudo em lotes entre 500 e 1.100 m², já infraestruturados e com condições urbanísticas definidas.
A segurança do enquadramento urbanístico assume igualmente um papel determinante na decisão de compra. Segundo os dados divulgados, 93% dos terrenos vendidos pela mediadora tinham um projeto aprovado ou um Pedido de Informação Prévia (PIP) favorável, permitindo aos compradores conhecer antecipadamente o potencial construtivo e reduzir a incerteza associada ao licenciamento. A Grande Lisboa, nomeadamente Cascais, Oeiras, Sintra e Montijo, concentrou a maioria das transações analisadas.
A tendência é também associada aos incentivos à construção, incluindo a redução do IVA para 6% nas empreitadas elegíveis e a simplificação dos procedimentos urbanísticos. Ainda assim, construir casa própria exige uma avaliação rigorosa dos custos totais, dos prazos, do financiamento e das condições legais de cada terreno.
A principal conclusão é que a construção própria está a ganhar relevância como alternativa residencial, apoiada por lotes de menor dimensão, valores de entrada mais baixos e maior previsibilidade urbanística. Contudo, os dados analisados dizem respeito a mais de 220 terrenos da carteira da Porta da Frente Christie's e não representam, por si só, a totalidade do mercado imobiliário nacional.
Publicado no 24 Notícias, a 27 de outubro de 2026,